Velocidade

Alguns trechos grifados e anotações que eu fiz no livro Plano B – O Design e as alternativas viáveis em um mundo complexo do John Thackara do Capítulo: Velocidade.


Confira estas anotações abaixo:

O nosso cérebro não evoluiu tão rapidamente, em termos funcionais, quanto a economia e a cultura material, que cresceram exponencialmente.

A velocidade degrada os ecossistemas dos quais dependemos. Queimamos, atualmente, tanto combustível fóssil em um ano quanto a Terra armazenou em um milhão de anos.

A colisão entre a era industrial e a era biológica se faz mais evidente na agricultura. “Ritmos naturais de crescimento e maturação são considerados lentos demais pela mente industrial dos dias de hoje”, diz Wolfgang Sachs; “uma enorme quantidade de recursos é alocada para extrair mais produção em menores períodos de tempo.

Mas a produtividade é atingida a um alto preço.

Do tempo dos eventos ao tempo do relógio

Os custos da velocidade não são apenas ambientais. Também pagamos um preço pessoal. Para começar, trabalhamos pos mais tempo em um sociedade veloz, mas sem um benefício óbvio.

Não é justo trabalharmos por mais tempo sem nenhum benefício claro. Os tempos modernos também prejudicam a nossa saúde mental.

Em American Nevousness (Nervosismo americano), de 1881, George Beard lançou o termo “neurastenia” para descrever a mazela mental causada pelo ritmo cada vez mais rápido da vida possibilitado pelo telégrafo, ferrovias e motores a vapor.

Sistema temporal de escolas, escritórios e transportes.

A sociedade veloz, ao confundir os nossos relógios da mente e do corpo, “cria as precondições da psicose”.

Do tempo do relógio ao tempo real

A tecnologia, por meio de seus dispositivos, busca fazer com que estejamos sempre ligados.

O design de um cronograma veloz

Mas , para viver de forma sustentável, também precisamos aprender a valorizar mais o aqui e agora. Muita destruição é causada quando o design é obcecado com o lá e o próximo.

Regimes sustentáveis de tempo estão surgindo. Menos pessoas parecem usar relógios de pulso hoje em dia. As canetas-tinteiros voltaram à moda. Viagens mais lentas também estão ganhando popularidade: os locais de destino agora lhe oferecem a oportunidade de silêncio e reflexão e o mercado de spas e retiros está em plena expansão. O agroturismo está ficando cada vez mais popular e um quinto de todos os viajantes diz que prefere viajar de forma ecologicamente coerente e não simplesmente rápida. No passado, só os pobres escolhiam os meios de transporte mais lentos, mas agora os ricos estão abdicando da velocidade por uma maior conectividade. [CONTATOS | EXPERIÊNCIAS]

“A lentidão é fundamental para a qualidade”, diz o ecologista industrial Enzio Manzini. [Ócio Criativo]

“Para apreciar a qualidade, eu preciso de tempo. Com uma taça de vinho o tempo que eu disponibilizo para sentir o aroma do tempo agrega valor à experiência.

Downshifting – vida simples

Os japoneses se referem ao desenvolvimento da confiança ao longo do tempo como nemawashi. Originalmente um termo da horticultura que significa “virar as raízes” antes do replantio – ou, por extensão, “preparar o terreno” -, o nemawashi passou a significar o processo pelo qual grupos no Japão desenvolvem o conhecimento compartilhado sem o qual pouco pode ser feito. Isso é importante para os administradores japoneses porque, se a confiança foi estabelecida entre as pessoas, é necessário menos esforço para atingir um consenso em relação a qualquer questão. A qualidade dos relacionamentos entre as pessoas é o verdadeiro valor.

O desafio do design não é desacelerar tudo, mas possibilitar situações que sustentem uma infinita variedade de formas rápidas e lentas de viver – nas ritmos ditados por nós, não por algum sistema baseado em um relógio. Trata-se de uma transformação da velocidade bruta à virtuose. [E SE?]

Domínio do tempo

Slow wash e Fluid Time

Em Israel, o tempo é ensinado na escola. Um conjunto elaborado de exercícios para ensinar sobre o tempo foi projetado para treinar crianças de diferentes culturas a como se adaptar ao ritmo de vida em Israel. As crianças aprendem diferentes conceitos de pontualidade e como “traduzir”os horários dos eventos dependendo da cultura da pessoa que os marca. Elas estudam as regras do jogo da espera. E são ensinadas a distinguir entre horário de trabalho e horário social.

O metrônomo (invetado em 1982) que regulam o tempo musical.

Os resultados chocaram Beethoven quando ele ouviu interpretações de suas composições seguindo as indicações do metrônomo.

Murilo Lima

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